14 novembro 2006

naquele dia

(Ilustração: Ligia BM)

A cidade corre tanto... Por quê? Medo de que?
Um homem anda tranquilamente, e se destaca tanto por isso
dá para imaginá-lo cantando, ou melhor, cantarolando
De repente uma mulher corre e recorre ao guarda:
"_ Eram dois pretinhos, um com a camisa branca, correram ali por trás!!!"
"_ Foram dois celulares!!!"
O guarda prontamente atende, corre
Responsabilidade em seu uniforme marrom

Antes dos pingos caírem, ainda com o céu cinzento,
pesado, talvez a pressa o deixe assim

Um homem deitado na calçada
torto, entortado, olhos fechados, membros largados
As pessoas passam, vão

Um homem reto, endireitado
conta moedas sentado na escadaria do velho prédio da esquina
As pessoas passam, voltam

A vida segue apressada na cidade
Prédios?
Não os vejo, só quando os procuro
Na verdade, épocas contrastantes destacam fachadas
Um casarão neoclássico em meio a dois arranha-céus
É assim
De resto, pessoas
superfícies
caminhos
chão
paredes sujas

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