11 novembro 2008

as experiências da cidade


Ontem estava voltando do trabalho e passei pela escadaria de sempre.
Um senhor subia, ele usava duas muletas, daquelas que apóiam as mãos, ante-braços e pulsos, daquelas menores. Tinha uma barba bem comprida, meio grisalha, devia estar pelos 60 anos, talvez um pouco mais.
Aparentava ser uma pessoa simples. Não simples por não ter posses, já que isso era óbvio, afinal, era um idoso de muletas sozinho em um percurso difícil, já que a escadaria é um atalho entre duas ladeiras, em uma área central da cidade.
Era simples como o silêncio mesmo.
Eu comecei a subir os degraus, ele já estava lá em cima, havia passado da metade do caminho. Aquela escadaria tem o que? Considerando o edifício do lado como referência, ela tem degraus o suficiente para subir 3 andares, desses de pé-direito normal. É comprida, de cimento, meio desgastada, às vezes cheira mal, é alta, é mais alta que comprida, ela encara a gente.
Enfim, eu terminei de subir a escadaria e, aquele senhor ia devagar, cada movimento sentido em cada detalhe. Um passo, pé direito, um movimento de muleta, outro passo, pé esquerdo, outro movimento de muleta. Imagino há quanto tempo ele estava lá, em seu passo lento e sentido.
Silêncio.
Nem uma palavra.
Nem um gemido também.
O rosto sofrido.
Talvez o pensamento estivesse longe, pois imagino ser bastante duro sentir cada um daqueles degraus, em cada movimento lento e calculado.
Espero que o pensamento estivesse longe, mas e daí? Isso aliviaria a mim, não a ele. Solidariedade egoísta?
Eu também senti aquele momento.

Um comentário:

Lutero Pröscholdt disse...

Ei Lígia! Como vai o Projeto?
O meu anda muito devagar.
To decobrindo q a galera tem Blog, nem sabia. Já adicionei o seu na minha Lista.
Bjos!